sobre sonhos e escolhas

Saiu do banho, vestiu a bermuda e pegou um cigarro da carteira em cima da mesa. Debruçou-se sobre o parapeito da janela, expondo-se à brisa suave que vinha do sul, carregando consigo um pouco do frio argentino. Acendeu o cigarro. Outras três pessoas passavam pela rua com um cigarro à boca. Eram as únicas que andavam por ali àquela hora, não que fosse tarde: a rua é que era tranquila.

Ao puxar a fumaça pela segunda vez pensou na vida que levava. Os pequenos detalhes da vida que ~ lutava ~ para melhorar. A chefe que o irritava. Os colegas a quem não mais suportava. Os sonhos não conquistados. Todas aquelas preocupações que vem a mente de alguém que se dizia viciado em trabalho. Observou a graça com que a fumaça se misturava ao ar. Desisti, disse uma das pessoas na rua, falando ao telefone. Desisti. De quantas coisas ele ainda desistiria pela obsessão de uma carreira de sucesso?

O cigarro apagou e ele acendeu outro. Viu surgir nas chamas do isqueiro uma ideia nova. Desistiu. Dessa vez de continuar seguindo um sonho inválido, incapacitante. Desistiu de desistir das outras desistências. E ao puxar a fumaça novamente inspirou-se na brasa que ardeu queimando o fumo. Iniciara ali uma vida mais difícil, de nenhum reconhecimento, mas muito mais feliz.

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