O Lenhador e Chapeuzinho.

“Tum! Tum! Tum” Ouvia-se o barulho ressoando pela floresta. “Tum! Tum! Tum!”

– Madeeeeeiraaaa! – gritou o lenhador apenas para manter o hábito, já que não havia ninguém em volta. A árvore que até há pouco atacava vigorosamente com seu machado caiu com estrondo, mas fez um barulho que o grandalhão não acreditou ser coerente ao momento. – Aaaaaaaaah! Socoooorrrooooo –  repetiu o barulho. –  Socooooorrooooo! –  de novo, de novo e de novo, sempre agudo e estridente.

– Aquele maldito lobo de novo! –  praguejou o forte senhor, grande como um urso, coçando a barba com irritação. A princípio imaginou que alguma criança deveria estar presa em alguma árvores enquanto o animal a cercava, ou que o maldito devesse estar rondando alguma das cabanas que haviam por ali. Ao ouvir um novo grito o velho agarrou seu machado com mais força na mão e saiu correndo em direção ao local de onde vinha o som.

Em alguns instantes de corrida, quando os pedidos de ajuda já não eram mais escutados, o lenhador chegou uma pequena clareira onde uma cabana fora construída em um misto de pedra e madeira. Ao aproximar-se, muito devagar, muito cauteloso, pode perceber que a porta de entrada estava arrombada. Seu aspecto raivoso que até então acreditava que precisaria apenas espantar o animal mudou. Seu semblante exibia preocupação, susto e tristeza que só se intensificaram quando pode ouvir o choro que vinha lá de dentro, bem como os rosnados e ruídos de carne sendo rasgada.

Ele entrou, tomado de coragem, tão lentamente quanto pode, tão atento quando conseguia ser. Pode perceber que o choro vinha de dentro de um armário de metal fechado por fora, mas que os ruídos vinham de dentro do único quarto da pequena casinha. Novamente tomado de ira ele olhou para dentro do quarto: O lobo rosnava violentamente entretido enquanto devorava as vísceras de uma pobre senhora jogada no chão.

– Maldito! – gritou jogando-se para dentro do quarto com violência, bradando o machado acima de cabeça. O animal, gigantesco e feroz, foi pego tão de surpresa que não teve tempo de escapar; teve o crânio rachado pela lâmina forte e afiada da arma do lenhador em questão de segundos. – VOCÊ –  gritou e retirou o machado apenas por um segundo para então enterrá-lo novamente na cabeça do animal. – NUNCA MAIS – continuou no intervalo entre uma machadada e outra. –  VAI DEVORAR –  e outra. –  NINGUÉM! – e continuou esmigalhando o crânio do animal. Quando terminou já não restava mais cabeça de logo, tudo o que existia eram migalhas e sangue que se misturavam as vísceras da senhora em uma mistura nauseante.

Cansado, ainda esbravejando e bufando cravou o machado uma última vez com tanta força que o instrumento ultrapassou até mesmo o corpo da senhora e enterrou-se no assoalho da cabana. Apoiou o corpo pesado e exausto nos próprios joelhos. Queria jogar-se no chão, descansar e render-se à emoção de vingar a morte de sua família, mas ainda havia uma criança chorosa trancada em um armário que precisava de seus cuidados.

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