Relato de Dominação

A Guerra estava sob controle, Atena estava ao meu lado, me concedendo a sabedoria necessária para administrar meu exército. Minhas muralhas eram impenetráveis, meus homens protegiam com louvor os portões. Óleo e fogo, pedras e flechas flamejavam e zuniam contra aqueles que se aproximavam. Não havia força contra meus portões, as torres e escadas que ousavam chegar ao topo de meus muros eram rechaçadas com espadas e machados, lanças e alabardas. Em três dias de Guerra meus Guerreiros ainda continuavam de pé, revezando-se com a possibilidade de descanço e alimentação. Poucos estavam machucados, menos ainda haviam dado suas almas à Hades. Eu comandava minhas tropas no alto da muralha, minha espada erguida com o sangue inimigo escorrendo por minhas mãos. Voltei-me para analisar a formação inimiga, estavam perdendo número, já não tinham mais que dois terços da formação inicial. A pilha de inimigos aumentava junto às muralhas brancas, que por hora se tingiam de vermelho, tributos meus ao Deus da Morte, que parecia me poupar. A flecha zuniu. Pude ouvir se aproximando e pude olhar para seu dono. Girei a espada no ar… Consegui cortar seu engaste. O resto atravessou meu peito. Perdi a guerra quando o arqueiro do arco dourado me atingiu no peito. Uma ferida mortal que não me tirou a vida. Tenho o coração arranhado e doente. Hades está feliz com meus presentes, mas sou agora prisioneiro daquele general bastardo, o arqueiro, aquele que dizem ser protegido pelo deus da guerra. Minha Atena me abandonou. Vi o brilho nos olhos daquele me quase me matou, olhos cansados, tristes, mas brilhando. Meus homens me acudiram, levaram-me para a ala hospitalar. Todos ficaram aturdidos. Sem mim ficaram sem liderança, uns poucos abandonaram os postos, outros se esqueceram de defender os portões, as flechas de meus arqueiros voavam sem direção definida, esqueceram-se do óleo e do fogo e os aríetes chegaram aos portões. Esqueceram-se dos reforços, esqueceram de tudo por sua lealdade a mim, queriam me proteger, queriam cuidar do meu ferimento. Os portões foram arrombados, a madeira nem chegou a quebrar, apenas as trancas que não foram reforçadas. Meus guerreiros se juntaram ao redor do hospital. Todos, com os escudos a frente e armas embainhadas. Ordem minha que já havia recuperado a consciência depois da retirada da flecha. O exército inimigo dominou a cidade, mas ninguém morreu. Respeitaram minha atitude. Atena compadeceu-se de mim e me deu sabedoria novamente. O General aproximou-se protegido pelos seus, curvou-se e eu admiti a derrota com a dor estampada nos olhos. Uma derrota injusta. Ele tinha ciência do golpe baixo dado. Aprisionou-me em meu próprio palácio. Uma nova bandeira foi erguida no alto da torre de meu castelo. General bastardo senta-se em meu trono, e governa minha terra.

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